Cinema de Guerrilha: as outras telas que estão dentro de você.
- claquetebrasileira
- 30 de set. de 2021
- 3 min de leitura

Provavelmente, se você fizer uma busca no Google procurando por cinema de guerrilha, certamente, encontrará várias ofertas de filmes de guerra, seguidos por reportagens sobre lançamentos dos mesmos. Mas, podemos contextualizar de maneira rápida o que é essa produção audiovisual.
Cinema de Guerrilha, a bem da verdade, é um meio de cineastas fazerem cinema com baixo ou nenhum orçamento; com qualidade, algumas técnicas e sem ter que passar pela burocracia do mercado que costuma ser bem demorada. Geralmente, essas equipes se assemelham aos modelos do cooperativismo e é formado por pessoas conhecidas - vizinhos, amigos, moradores do bairro, colegas de curso etc., além de cineastas, atores e atrizes.
Existem, nos locais de filmagens, muitas oportunidades a serem desenvolvidas como: direção de arte que inclui a maquiagem e o figurino; direção de fotografia que cuida dos enquadramentos e planos das cenas, operação de áudio, responsável pela captação do som, verifica se o registro sonoro foi bem realizado, sem falhas e sem ruídos externos; edição onde todo o pós - produção se concentra para, por assim dizer, fazer os cortes, inserir informações, cuidar da paleta de cores dentre tantas outras coisas que vão se somando até que o filme fique pronto. As equipes, nestas produções, são pequenas, precisam de pessoas flexíveis nas funções que desempenhem, que ponham a mão na massa; tenham algum conhecimento sobre produção cinematográfica e disposição para aprender sobre diversas demandas como gambiarras cinematográficas e improvisações que podem ser de grande assertividade.
O trabalho que o Cinema de Guerrilha promove é interessante para todos os artistas envolvidos, mas, que ainda não são tão conhecidos no mercado profissional ou que se encontram em início de carreira. Isso tudo pelo fato de ser uma oportunidade de mostrar o talento que se tem para outras pessoas e até utilizar essa experiência como currículo para ser apresentada em outras produções cinematográficas.
Luciana Romagnoli em uma entrevista com Evaldo Mocarzel, diretor do documentário “Cinema de Guerrilha”, (Brasil – 2010) diz “Quando a câmera digital chega às mãos de quem vive na periferia, abre-se o visor para que um grupo muito mirado pelo cinema brasileiro, em seus matizes mais dramáticos, se expresse por si mesmo. [...] uma moda que apelidaram de "pop pobre".
Sua maneira de filmar, seu ponto de vista, sua abordagem é a sua leitura pessoal das coisas que vê ou imagina e que podem ser um grande diferencial, portanto, o Cinema de Guerrilha é a impressão da vontade de cada indivíduo. É a representatividade das pessoas e dos lugares.
Em, 2017 Andrio Candido,ator, roteirista e poeta paulistano, realizou um filme de curta metragem com a cara e a coragem: “Um salve doutor” contou com R$60,00 de orçamento, uma grua emprestada e a ajuda dos amigos da vizinhança, cada um, com o que sabia fazer: a maquiadora para cuidar dos cabelos e da maquiagem; se por ali havia alguém que soubesse atuar - bem vindo; quem podia fornecer o lanche ou emprestar a casa para a locação da filmagem todos eram bem chegados, tudo foi útil.
Glauber Rocha dizia que para filmar bastava ter uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, isso tudo, em uma época em que filmar dava muita trabalheira - pouco acesso à tecnologia, filmes caros, pouca mão de obra especializada e mesmo assim ele foi revolucionário nos filmes que fez. A câmera é o olho de quem filma e a maneira como os olhos dos espectadores enxergam. É o lugar de fala, é a sua ação valendo!





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