Wakande - se!
- claquetebrasileira
- 25 de nov. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 29 de nov. de 2021
(marcelo_amm)

Foto: Facebook.com/Camila de Moraes
Já comentamos, nesta coluna, sobre a necessidade que o cinema nacional tem de se expressar, por quais meios isso foi possível e continua sendo necessário em virtude do cenário de incisivos combates da administração nacional vigente que não vê este produto como gerador de renda e de empregabilidade. Portanto, fazer um filme não é das coisas mais fáceis de se ocorrer em nenhum lugar do mundo e para nós brasileiros, um caminho árduo para ser trilhado.
Nestas condições, à medida que a tecnologia passou, realmente, a fazer parte da vida das pessoas, outras solicitações e olhares passaram a ser reivindicados por todos: orientação sexual, cor da pele, despigmentação, acessibilidade, padrão de corpo e etc. Sob estas visibilidades naturais, a injustiça brasileira em relação ás pessoas negras é o grito mais contundente - há um buraco imenso em situações que exigem critérios de julgamentos das pessoas brancas em relação ás negras; há uma condenação em percentuais muito maiores quando o réu é negro.
Camila de Moraes, é essa pessoa atenta a esse tipo de mecanismo, caso expresso em seu documentário “O Caso do Homem Errado (Camila de Moraes, 2017), que trata da vida do operário Júlio César de Melo Pinto que saiu de casa em Porto Alegre, passou por um ataque epilético em via pública, foi levado preso pela polícia local como se fosse um bandido e há 1:00 hora mais tarde deu entrada no Instituto Médico Legal, sem vida! - este documentário foi realizado sob condições de baixo orçamento e uma lista imensa de ações que pudessem ser revertidas em dinheiro para que o mesmo pudesse ser filmado, viabilizado. Circulou por alguns acessos como por exemplo, ser exibido pelo Globoplay; Cine Outrox - cineclube em Vila Isabel, RJ; Mostra Taturana, SP; Cineclube Boca de Brasa, BA; FAN, Festival de Arte Negra em BH, constou entre os pré indicados nacionais ao Oscar, 2020 e etc.
Camila, é este olhar atento para a história por suas escolhas de mulher negra e cineasta dona da própria guerrilha. Há dois anos criou em Porto Alegre, o Festival de Cinema Negro em ação, realização da Secretária de Cultura do RS, Casa de Cultura Mário Quintana e do Instituto Estadual de Cinema - Iecine RS (20 a 27/11) que em 2021 acontece em formato hibrido com a exibição de filmes e premiações para videoclipe, videoarte, curta - metragem e longa - metragem.
Neste ano, o festival homenageia o cineasta paulista de Taubaté, Jeferson DE por sua vasta realização desde Bróder, 2010 até os mais recentes “M - 8 Quando a Morte Socorre a Vida” (2018) e “Doutor Gama” (2021) dentre outras realizações como a Buda Filmes, o livro - manifesto “Dogma Feijoada”( 2000); dirigiu programas e novelas na TV Cultura, no Multishow, foi um dos diretores da novela “Bom Sucesso” da Globo,; tem trabalhos na TV Brasil, Fox, Multishow e premiado com o EMMY Kids Awards com a série “Pedro e Bianca” (TV Cultura. 2014).
Desejo que o cinema seja porta voz de pessoas, animais e coisas. Pessoas de todas as cores, classes sociais e outras pluralidades sociais humanas. Bom filme a todos, todas, todes!
“A gente só muda quando tem informação e o cinema é uma ferramenta de informação para nós. espero que a gente continue atuante e reflexivo no cinema brasileiro.” (Camila de Moraes).
Saber mais:
Cineloooou.com; adoro, cinema, Facebook.com/Camila de Moraes
Programação Completa do II Festival de Cinema Negro, 2021
https://cultura-admin.rs.gov.br/upload/arquivos/202111/12142848-iifestival-prog.pdf
Foto: Geledés, Fotos: Facebook.com/Camila de Moraes e Facebook.com/”O caso do Homem Errado”.






Comentários