O cinema nacional corre perigo?
- claquetebrasileira
- 12 de nov. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 18 de nov. de 2021

O filme Marighela, lançado no mês de novembro de 2021 no Brasil, escancarou uma ferida aberta entre o governo brasileiro e produções de arte em geral. Wagner Moura, Diretor do filme, afirma que Bolsonaro e seus comparsas (o Diretor da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, e o Secretário da Cultura, Mário Frias), de forma velada, foram contra a produção por se tratar de “ideais comunistas” e influenciaram decisões da Ancine (Agência Nacional do Cinema).
Mas o que isso tem a ver com o cine guerrilha?
Quem está na guerrilha sonha com uma oportunidade, um espaço e alguém que acredite e invista em sua ideia. Um edital é uma porta de entrada para a realização de um projeto cultural de forma sólida, coloca o artista em lugar de destaque e viabiliza o network corporativista.
A indústria cultural do país, que depende do incentivo fiscal do estado, gera emprego e renda para uma variedade de profissões. A arte apresenta uma perspectiva crítica do momento na sociedade e isso desagrada governos autoritários ao redor do mundo exatamente por causar reflexões complexas sobre o estado e a sociedade.
Os ataques sistemáticos as produções artísticas custeadas pela Lei Ruanet (Lei nº 8.313 do dia 23 de dezembro de 1991), a partir de 2018, fortificaram a ideia que o estado estaria gastando dinheiro público com bizarrices ideológicas. Essa teoria da conspiração abriu um precedente perigoso para o mundo da arte no Brasil e artistas começaram a serem vistos como algozes. A maioria das pessoas que criticam esses editais não entende que o dinheiro usado no projeto vem de isenção de impostos, como ISS por exemplo, de empresas privadas ou públicas. Ou seja, a empresa já iria gastar esse dinheiro com, mas direciona certa porcentagem ao proponente do projeto.
A valorização de editais para viabilizar a produção de projetos artísticos culturais devem ser valorizados e aceitos como uma excelente chance de criação de algo grande, com efeito social e retorno positivo para quem apoia. A compreensão de como funciona o sistema é o primeiro passo para que esse paradigma criado recentemente seja destruído e o muro que foi construído entre o estado e a arte seja derrubado.





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